Carregadores Alternados: A Revolução no Carregamento de Veículos Elétricos

3/19/20266 min read

Como Funciona a Recarga Alternada?

Nos carros elétricos, a energia fornecida pela rede elétrica chega em corrente alternada (AC). Dentro do veículo, há um conversor interno (on-board charger) que transforma essa energia em corrente contínua (DC), utilizada para carregar a bateria. Esse processo de conversão limita a velocidade de recarga, já que depende da capacidade do carregador interno do carro. Por isso, em casa, a recarga costuma ser mais lenta: a rede residencial geralmente oferece potência limitada, suficiente para recargas noturnas, mas não para cargas rápidas.

Principais Modelos de Carregadores Alternados

  • 7,4 kW (220 V monofásico): ideal para residências e pequenos estabelecimentos. Gera cerca de 30 a 40 km de autonomia por hora de recarga.

  • 22 kW (380 V trifásico): indicado para ambientes comerciais como condomínios, shoppings e hotéis. Pode fornecer até 80 km de autonomia por hora.

Esses carregadores são considerados eficientes e flexíveis, atendendo bem tanto ao uso doméstico quanto ao comercial.

Instalação: Itens Essenciais

Para instalar um carregador alternado, é necessário avaliar:

  • Quadro elétrico: deve suportar a potência do carregador.

  • Fiação adequada: dimensionada para evitar aquecimento e perdas.

  • Carregador compatível: escolhido conforme a demanda de recarga e o tipo de veículo. Em alguns casos, pode ser preciso instalar transformadores ou reforçar a infraestrutura elétrica, o que impacta o custo total.

Custos e Gestão em Ambientes Comerciais

  • Custo inicial: varia conforme a potência do carregador. Modelos de 7,4 kW são mais acessíveis que os trifásicos de 22 kW.

  • Softwares de gestão: permitem controlar o uso, cobrar clientes ou condôminos e otimizar o consumo de energia.

  • Sustentabilidade: a gestão centralizada ajuda a reduzir desperdícios e garantir uso eficiente das estações.

Em quanto tempo carrega?

Carregador de 7,4 kW (uso residencial)

  • BYD Dolphin Mini (BEV): bateria ~44 kWh; OBC limitado a 7,4 kW; autonomia total ~340 km; ganha cerca de 35 km por hora; tempo total de 6–7 horas.

  • BYD Song Plus DM-i (PHEV): bateria ~18 kWh; OBC limitado a 7,4 kW; autonomia elétrica ~120 km; ganha 30 km por hora; tempo total de 4–5 horas.

  • GWM Haval H6 PHEV: bateria ~19 kWh; OBC limitado a 7,4 kW; autonomia elétrica ~110 km; ganha 28 km por hora; tempo total de 4–5 horas.

  • BYD Yuan Plus (BEV): bateria ~60 kWh; OBC limitado a 11 kW; autonomia total ~410 km; em 7,4 kW ganha 40 km por hora; tempo total de 7–8 horas.

  • Toyota Corolla Cross PHEV: bateria ~12 kWh; OBC limitado a 3,7–7,4 kW (dependendo da versão); autonomia elétrica ~85 km; ganha 25 km por hora; tempo total de 3–4 horas.

  • BYD Dolphin (BEV): bateria ~60 kWh; OBC limitado a 7,4 kW; autonomia total ~405 km; ganha 38 km por hora; tempo total de 7–8 horas.

  • Fiat Fastback PHEV: bateria ~12 kWh; OBC limitado a 7,4 kW; autonomia elétrica ~80 km; ganha 25 km por hora; tempo total de 3–4 horas.

  • BYD Seal (BEV): bateria ~82 kWh; OBC limitado a 11 kW; autonomia total ~530 km; em 7,4 kW ganha 40 km por hora; tempo total de 9–10 horas.

  • Jaecoo 7 PHEV: bateria ~20 kWh; OBC limitado a 7,4 kW; autonomia elétrica ~100 km; ganha 28 km por hora; tempo total de 4–5 horas.

  • BYD Song Pro GS (PHEV): bateria ~18 kWh; OBC limitado a 7,4 kW; autonomia elétrica ~120 km; ganha 30 km por hora; tempo total de 4–5 horas.

Veículos que carregam em 11 kW (AC)

  • BYD Yuan Plus (BEV): bateria ~60 kWh, OBC até 11 kW.

  • BYD Seal (BEV): bateria ~82 kWh, OBC até 11 kW.

  • Alguns modelos europeus vendidos no Brasil (como Audi e-tron e BMW iX3) também aceitam 11 kW em AC.

Veículos que carregam em 22 kW (AC)

  • Renault Megane E-Tech (BEV): OBC de 22 kW, aproveita totalmente carregadores trifásicos.

  • Porsche Taycan (BEV): versões com OBC de 22 kW disponíveis.

  • Ferrari elétrica (BEV, modelos premium importados): suporte a 22 kW em AC.

  • Alguns modelos Mercedes-Benz EQ e Smart EQ também oferecem opção de 22 kW.

Dimensionamento Elétrico para Carregadores de Veículos Elétricos

A instalação de carregadores de veículos elétricos em residências e ambientes comerciais exige não apenas a escolha correta da bitola dos cabos, mas também a definição adequada de disjuntores, dispositivos diferenciais residuais (DR/IDR) e um sistema de aterramento eficiente. Esses elementos garantem segurança contra sobrecarga, curto-circuito e choques elétricos.

Bitolas de Cabos (até 30 metros do quadro)

  • Residencial (7,4 kW – monofásico 220 V): corrente aproximada de 32 A.

    • Cabo recomendado: 6 mm² de cobre.

    • Para maior segurança e menor queda de tensão: 10 mm².

  • Comercial (22 kW – trifásico 380 V): corrente aproximada de 32 A por fase.

    • Cabo recomendado: 10 mm² de cobre.

    • Em instalações com múltiplos carregadores ou alta demanda: 16 mm².

Disjuntores Ideais

  • Residencial (7,4 kW): disjuntor bipolar de 40 A para proteger contra sobrecarga e curto-circuito.

  • Comercial (22 kW): disjuntor trifásico de 40 A por fase.

  • Sempre utilizar disjuntores curva C, adequados para cargas de motores e equipamentos eletrônicos.

DR e IDR (Dispositivo Diferencial Residual)

  • O DR (ou IDR) é obrigatório em instalações de carregadores, pois protege contra choques elétricos.

  • Deve ser dimensionado para a corrente nominal do circuito:

    • Residencial: DR de 40 A / 30 mA.

    • Comercial: DR trifásico de 40 A / 30 mA.

  • A sensibilidade de 30 mA é a mais indicada para proteção de pessoas.

Aterramento

  • O sistema de aterramento deve estar conforme a NBR 5410.

  • Resistência máxima recomendada: ≤ 10 ohms.

  • Deve ser conectado ao quadro elétrico e ao ponto de recarga, garantindo que qualquer fuga de corrente seja desviada para o solo.

  • Em ambientes comerciais, recomenda-se malha de aterramento dedicada para os carregadores, evitando interferência com outros sistemas elétricos.

Conclusão

  • Residencial: cabos de 6 a 10 mm², disjuntor bipolar de 40 A, DR de 30 mA e aterramento ≤ 10 ohms.

  • Comercial: cabos de 10 a 16 mm², disjuntor trifásico de 40 A, DR trifásico de 30 mA e malha de aterramento dedicada.

  • A combinação correta desses elementos garante segurança, eficiência e conformidade com normas técnicas na instalação de carregadores de veículos elétricos.

Mini Artigo: Tomadas de Qualidade para Carregadores Portáteis de até 3,7 kW

Em situações emergenciais — como em uma casa de praia, sítio ou locais afastados — é comum recorrer a carregadores portáteis de veículos elétricos, que operam em potência de até 3,7 kW. Para garantir segurança e eficiência, é fundamental disponibilizar uma tomada de qualidade, corretamente dimensionada, evitando riscos de superaquecimento e incêndio.

Dimensionamento da Tomada e Fiação

  • Potência máxima: 3,7 kW em 220 V → corrente aproximada de 16 A.

  • Tomada recomendada: padrão industrial ou tomada de uso específico, com contatos reforçados e certificação.

  • Fiação: cabos de 2,5 mm² de cobre são suficientes para até 20 metros; para distâncias maiores (até 30 metros), recomenda-se 4 mm² para reduzir queda de tensão.

  • Quadro elétrico: deve ter disjuntor bipolar de 20 A dedicado exclusivamente ao ponto de recarga.

Proteções Obrigatórias

  • Disjuntor: protege contra sobrecarga e curto-circuito.

  • DR/IDR (Dispositivo Diferencial Residual): sensibilidade de 30 mA, essencial para evitar choques elétricos.

  • Aterramento: deve estar conforme a NBR 5410, com resistência ≤ 10 ohms. O aterramento garante que qualquer fuga de corrente seja desviada para o solo.

Perigos de Instalações Mal Dimensionadas

  • Tomadas comuns de uso doméstico não suportam correntes contínuas de 16 A por várias horas. Isso pode causar:

    • Aquecimento excessivo da fiação.

    • Derretimento de tomadas e conectores.

    • Risco de incêndio.

  • Extensões improvisadas ou cabos finos aumentam a queda de tensão e o risco de acidentes.

Conclusão

Para uso emergencial de carregadores portáteis de até 3,7 kW:

  • Utilize tomada dedicada e reforçada.

  • Instale fiação de 2,5 a 4 mm², conforme a distância.

  • Proteja o circuito com disjuntor de 20 A, DR de 30 mA e aterramento eficiente.

Assim, mesmo em locais como sítios ou casas de praia, é possível garantir uma recarga segura e confiável, sem comprometer a instalação elétrica nem colocar em risco os usuários....

Fiação

  • Residencial (até 7,4 kW): cabos de cobre de 6 mm²; para maior segurança ou distâncias maiores, utilizar 10 mm².

  • Comercial (até 22 kW): cabos de cobre de 10 mm²; em instalações com múltiplos carregadores ou alta demanda, considerar 16 mm².

  • Emergencial (até 3,7 kW com carregador portátil): cabos de 2,5 mm² até 20 m; para até 30 m, utilizar 4 mm².

  • Sempre calcular queda de tensão e seguir normas da NBR 5410.

Quadro Elétrico Completo

  • Disjuntores:

    • Residencial: disjuntor bipolar de 40 A para 7,4 kW.

    • Comercial: disjuntor trifásico de 40 A para 22 kW.

    • Emergencial: disjuntor bipolar de 20 A para 3,7 kW.

  • DR/IDR (Dispositivo Diferencial Residual):

    • Sensibilidade de 30 mA, obrigatório para proteção contra choques.

    • Dimensionado conforme a corrente nominal do circuito (40 A em residências e comerciais).

  • Aterramento:

    • Resistência ≤ 10 ohms.

    • Deve ser conectado ao quadro e ao ponto de recarga.

    • Em ambientes comerciais, recomenda-se malha dedicada para os carregadores.

Estações de Recarga

  • Residencial: estação dedicada de 7,4 kW, instalada em ponto protegido e com tomada reforçada.

  • Comercial: estação trifásica de 22 kW, com gestão centralizada e infraestrutura reforçada.

  • Emergencial (praia, sítio, locais afastados): tomada exclusiva para carregador portátil de até 3,7 kW, com fiação adequada, disjuntor de 20 A, DR de 30 mA e aterramento confiável.

  • Nunca utilizar tomadas comuns de uso doméstico para recarga contínua, pois há risco de aquecimento, derretimento e incêndio.